Com atraso no pagamento do seguro defeso, pescadores de Sento Sé e cidades da região dizem não ter dinheiro para comer

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“Não tem coisa pior: a gente querer comer e não ter”. Esse é o sentimento de Erenildo de Souza em relação ao atraso no pagamento do seguro defeso para os pescadores de Juazeiro, no norte da Bahia. O benefício é pago durante a piracema, período em os peixes estão em reprodução e os trabalhadores não podem pescar, no entanto, está atrasado desde novembro de 2020.

O seguro defeso deveria ter sido pago de novembro a fevereiro, período em que os pescadores ficam proibidos de pescar no Rio São Francisco.

Dos 1,2 mil trabalhadores da colônia de pescadores de Juazeiro, apenas 200 conseguiram retirar o benefício da conta. Já os demais, estão aguardando o seguro defeso ser liberado.

De acordo com o presidente da colônia, Domingos Souza Filho, os pescadores foram cadastrados ainda em outubro de 2020 e toda a documentação foi encaminhada para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“O pescador veio, deu entrada, o INSS fez a análise e liberou as parcelas. Eles [pescadores] vieram aqui e pegaram o extrato, mas quando chegaram na casa lotérica foram surpreendidos, porque o dinheiro não está na conta”, explicou.

De acordo com a advogada Thayla Menezes, que presta serviços de assessoria jurídica em colônias e associações de pescadores de Juazeiro, trabalhadores de outras cidades estão passando pelo mesmo problema.

Segundo a advogada, em Sento Sé, a cerca de 190 km de Juazeiro, cerca de quatro mil pescadores estão sem receber o benefício. Já em Sobradinho, 1,4 mil também estão sem receber o seguro defeso.

“Se pescar é penalizado, é multado pelo Ibama, o PIS fica suspenso e ele fica prejudicado por tentar se sustentar”, disse.

Ainda segundo a advogada, ela pretende entrar em contato com o INSS para construir uma proposta a fim de melhor a situação desse benefício, para que os pescadores não sejam mais prejudicados.

Por meio de nota, o INSS disse que os pedidos de maneira automática e que há uma equipe exclusiva para analisar e processar esse tipo de demanda.

Ainda de acordo com o órgão, pescadores artesanais que não deram entrada no benefício, têm até o final de fevereiro para realizar o pedido por meio do aplicativo Meu INSS.

Fonte: G1

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